Resenhas
Estas resenhas não estão em ordem cronológica. Isso é proposital. Não quis refazer a seqüência temporal em que os textos foram escritos, tendo sido a maioria deles publicados em suplementos literários ou em revistas. O objetivo é embaralhar as reflexões sobre lançamentos considerados "antigos" e os mais recentes, livros recém-saídos do forno editorial.
Posso falar também de outros tantos que estão há décadas fora de catálogo, mas que passo a revê-los num reencontro promissor. Não entendo por que a crítica deva estar estar sempre ao encalço do mercado - não seria o mercado que deveria andar de olhos mais atentos à crítica e não o contrário? O espaço aqui é de liberdade contra os critérios que estabelecem o envelhecimento precoce de um livro, isto é, quando este deixa de ser simplesmente um "lançamento".
O que se segue tem como orientação principal a maior clareza possível, entendendo que, como bem disse Antonio Candido, a clareza talvez seja ainda mais importante do que a profundidade. E ninguém, acredito, precisa parecer confuso ou pretensamente sofisticado para ser profundo.
- A farmacinha de Clarice Lispector
- Correio feminino
- O pior de todos os dias
- Mário de Andrade em prosa e verso
- O carapina da palavra
- Mestre sem pompa
- Geografia da imaginação
- Vários coelhos na cartola
- Os crimes do contemporâneo
- Contos inéditos revelam novas autoras
- Insólitos diálogos
- Dicionário de um Brasil embaralhado
- As visitações de Tabucchi
- Revisão de um palimpsesto
- A fórmula da concisão
- Entre a história e a fábula
- Ficção a bico-de-pena
- As ruas e as pessoas de Ruffato
- Rubem Fonseca e seu duplo
- Críticas da crítica
- Expedição ao mundo de Chico Xavier
- Memória vasculhada
- Os explicadores do Brasil
- Vestígios da realidade
- Retroceder para avançar
Há um outro lado de Clarice Lispector, ainda pouco conhecido por parte deste mesmo público cativo. Um lado em que a alma pesa menos do que o corpo...
Dois livros importantes para o estudo de uma face pouco explorada da obra de Clarice Lispector.
O autor americano Jonathan Froer, que já havia feito bonito em Tudo se ilumina, dá um enorme passo à frente com Extremamente alto & incrivelmente perto.
Era o ano de 1927 quando Mário de Andrade lançou o seu arrebatador e polêmico Amar, verbo intransitivo, classificado pelo próprio autor como um "idílio" - texto leve sobre o amor - que balançou corações e mentes dos conservadores da época.
Toda a vez que morria um parente mais chegado ou alguma coisa dramática lhe acontecia, o velho coronel Domingos Monteiro (tinha 80 anos) parava o relógio-armário da sala de estar...
A partir de alguns autores fundamentais, Mario Vargas Llosa tenta revelar os caminhos ocultos da ficção e responder como os grandes escrevem.
O Aleph, espaço onde podem ser vistos todos os lugares do mundo de todos os ângulos...
Só um bom autor consegue reunir várias idéias - e histórias - em um único romance sem perder o fio da meada...
"Armadilhas ficcionais: modos de desarmar" é um apurado exercício de investigação...
Coletâneas reunindo textos de autores diversos são ótimas vitrines para os mais talentosos...
"Literatura brasileira em foco", organizado pela professora Fátima Cristina Dias Rocha, da Uerj, é mais do que uma seleção de artigos...
No poema "Hino nacional", reunido em "Brejo das almas", de 1934, Carlos Drummond de Andrade pergunta, nos versos finais: "Nenhum Brasil existe. E acaso existirão os brasileiros"?
No livro "Os três últimos dias de Fernando Pessoa: um delírio", do escritor italiano Antonio Tabucchi, um dos heterônimos do poeta português, Álvaro de Campos, faz uma visita a seu mestre à beira da morte...
Palavras amontoadas, doces ausências de sentido. Fábulas mal escritas. Memórias de um insano pobre em capítulos. Essas são algumas das muitas definições encontradas dispersas em "Até nunca mais por enquanto"
Julian Barnes é um autor de poucas palavras. Nada do que escreve parece prolixo ou exagerado. Um fino senso de humor soma-se a tantos outros sentimentos, como a fúria ou a revolta, mas todos eles são devidamente contidos...
A ficção nada mais é do que uma nova forma de escrever a história e de construí-la. Em contrapartida, a verdade, como diz o revisor Raimundo Silva, de "História do cerco de Lisboa", é "uma cara sobreposta às infinitas máscaras variantes".
É árduo o caminho do crítico que decide virar ficcionista. Primeiro, porque o público, em geral, tem a idéia de que quem teoriza não consegue escrever boas histórias. Segundo, porque os críticos costumam amargar o próprio juízo na hora de entregar uma prova...
Nas histórias do escritor mineiro Luiz Ruffato, a geografia dos lugares, das casas e das cidades não é apenas cenário. O meio se confunde tanto com a vida que fica difícil saber onde começa a rua e terminam as pessoas, como acontece em "Eles eram muitos cavalos"
Enquanto Rubem Fonseca se esforça ao máximo por parecer invisível, fugindo de câmeras e entrevistas, seu duplo, o narrador que lhe serve de alter-ego em muitos de seus livros, é, indisfarçavelmente, um narcisista profissional.
A história da crítica literária no Brasil é indissociável das várias polêmicas e disputas intelectuais que acompanharam seu desenvolvimento ao longo dos séculos...
Mais do que biografia, "As vidas de Chico Xavier", em nova edição revisada, do jornalista Marceu Souto Maior, é um livro de investigação...
É sempre um risco abrir a gaveta particular de alguém e vasculhar sua memória guardada. Pode-se encontrar ali revelações de uma pessoa totalmente diferente daquela que se conhece – para melhor ou pior...
Dois clássicos da historiografia nacional fazem aniversário em 2006: Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Hollanda, e Sobrados e mucambos, de Gilberto Freyre...
O início é bem confuso. Tem-se a impressão de que frases e capítulos inteiros vão dar em lugar-nenhum. Não há mapas e o leitor está perdido...
Passo de caranguejo, do alemão Günter Grass, é um dos livros mais desconcertantes sobre o nazismo dos últimos tempos...
Del.icio.us

