Livros publicados

Dizem que fazer pesquisa é perseguir nossas obsessões. Talvez seja mesmo verdade. E, no meu caso, uma de minhas maiores obsessões em termos literários foi, e ainda é, naturalmente, Clarice Lispector. Desde o primeiro livro da autora que me caiu nas mãos, ainda na faculdade de Comunicação, Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres, até os romances que fizeram parte de uma leitura tardia e mais madura, já às portas do doutorado, a obra de Clarice Lispector me persegue em palestras, cursos, ensaios e também, como não poderia deixar de ser, é tema de um de meus livros - A palavra usurpada. Abaixo, segue uma resenha da professora Lúcia Helena, da UFF, que resume e esclarece um pouco o que é este trabalho.

Na outra ponta da minha atividade profissional, está o jornalismo. Este, porém, jamais se desvinculou da literatura. Prova disso é o título do meu segundo livro, Literatura nos jornais, publicado pela Summus. O livro é o resultado de uma pesquisa desenvolvida para a Capes, mas acabou resultando numa conversa bastante informal e, acredito, proveitosa, sobre os espaços da crítica literária nos suplementos literários e no jornalismo a partir de uma perspectiva histórica.

Literatura nos Jornais

A crítica literária dos rodapés às resenhas

Porto Alegre: Summus Editorial, 2003.
ISBN: 9788532303714
Páginas: 96

As críticas que recheiam os jornais e os periódicos culturais perderam o caráter polêmico e contestatório. Entre o academicismo, de um lado, e a crítica sem substância, de outro, o debate em torno da produção literária se esvaziou. Assim, por meio da análise da produção crítica cultural de hoje, passando pelos ancestrais das resenhas e pelo estudo dos principais suplementos de cultura do país, a autora reúne as características que identificam uma resenha, além de apontar o que é preciso para compor uma boa crítica. "Literatura nos jornais - A crítica literária dos rodapés às resenhas" supre a escassez de publicações relacionadas com o segmento cultural do jornalismo, de forma inteligente e crítica, e é voltada para estudantes e profissionais da escrita.

"Em outras palavras, o leitor deste livro encontrará muito mais do que um 'manual' de escrita de resenhas e, ao mesmo tempo, descobrirá autênticos segredos de bastidores. Mas como é possível reunir reflexão aguda, análise histórica pertinente e indispensáveis sugestões de ordem prática? Simples: Cláudia Nina sempre soube que teoria e prática devem caminhar juntas; afinal, não é verdade que os opostos se atraem?"

Trecho do prefácio de JOÃO CEZAR DE CASTRO ROCHA, professor de literatura comparada da Uerj e autor de Literatura e cordialidade. O público e o privado na cultura. EdUERJ, 1998.

A palavra usurpada

Exílio e nomadismo na obra de Clarice Lispector

Porto Alegre : EDIPUCRS, 2003.
ISBN : 8574303844
Páginas: 184

Jornal do Brasil - Caderno Idéias - 18/10/2003

"Da face da escrita de Clarice Lispector, ainda pouco explorada pela crítica, trata Cláudia Nina no recém-publicado ´A palavra usurpada`, que elege o exílio e o nomadismo eixos nucleares da narrativa da autora. Inicialmente uma tese de doutorado, em inglês, defendida na Universidade de Utrecht, na Holanda, em 2001, a versão publicada no Brasil revela uma inteligente e criativa analista.

Munida de ousadia na argumentação, Cláudia soube libertar seu trabalho do formalismo e dos cacoetes comuns às teses. E, dispensando possíveis associações autobiográficas, busca encontrar nas obras da escritora as principais características que constroem uma literatura de exílio e de nomadismo - comparando com outros textos e escritores nos quais tal proposta também aparece, como em Kafka.

De imediato, diga-se que ´A palavra usurpada` não considera o exílio e o nomadismo dois simples temas - e aí reside sua originalidade -, mas instâncias que estruturam a duplicidade de caminhos que a narrativa de Clarice recorta e entretece. Embora a escritora tenha experimentado o exílio voluntário, quando deixou o Brasil para seguir o marido diplomata, e embora seja fato que, ao nascer, ela trouxe consigo o exílio dos pais, Cláudia Nina tem a sabedoria de não privilegiar essas instâncias como uma biografia espelhada.

Assim, numa virada de alcance teórico, reflete sobre o exílio e o nomadismo como translação de práticas textuais e de sentido que ocorrem na geografia da linguagem e não no mapa das viagens ou nas certidões. Dialogando com a contribuição de Deleuze, Guattari e Rose Braidotti, A palavra usurpada distingue dois continentes literários.

No primeiro, o das narrativas do exílio ou do silêncio, pressupõe-se uma organização mais hierárquica que determina a lógica das relações entre os personagens e o narrado, estabelecendo-se um bloqueio entre um centro regulador e suas margens, com a adoção de uma estratégia de modelo mimético. No segundo, o das narrativas de nomadismo, esse constrangimento não aparece, uma vez que sua circulação textual presume a crise da representação e a implosão das categorias narrativas tradicionais.

No elenco formado pelas "narrativas do exílio ou do silêncio" estariam ´O lustre`, ´A cidade sitiada` e ´A maçã no escuro`. Já no circuito dos textos nômades inscrevem-se ´Água viva`, ´A hora da estrela` e ´Um sopro de vida`, narrativas da década de 1970. Nelas, as personagens apresentam uma subjetividade histórica e a textualização se produz fora do eixo da analogia entre o mundo narrado e a realidade. A palavra usurpada ainda estende essas considerações aos romances ´Perto do coração selvagem` e ´A paixão segundo G.H`., fazendo-nos conviver com os achados e os perdidos de uma ficção admirável."

Lucia Helena, professora de Literatura Brasileira na Universidade Federal Fluminense e autora do livro "Nem musa, nem medusa: itinerários da escrita em Clarice Lispector", publicado pela editora da Eduff

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Entrevista com a autora no portal www.universia.com.br

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