Entrevistas

Uma entrevista com um bom autor é sempre um encontro perigoso. Isso porque se o entrevistador acha que pode apenas folhear o currículo de um escritor ou ler a orelha do último livro que este escreveu para saber minimamente de quem se trata o sujeito, o máximo que vai obter vai ser uma meia-conversa. Por outro lado, entrevistar alguém já com um conhecimento, pelo menos mínimo, da obra ou do trabalho em questão, já é uma promessa de encontro feliz.

Lembro uma única vez em que, ainda bem no início da carreira, mas já no Jornal do Brasil, fui entrevistar um autor importante. Como eu não me afeiçoava ao gênero em questão – vou manter em sigilo para esconder os detalhes do meu tropeço – não li nada, mas nada mesmo, que o tal havia escrito. Nem sequer um capítulo da obra que era o motivo da entrevista. Resultado: não consegui esconder a ignorância. A cada frase ou resposta do autor, vinha uma referência a algum trecho que eu, obviamente, desconhecia por completo. Claro que nunca mais me arrisquei a fazer uma entrevista sem fazer primeiro o dever de casa. Hoje, muitos anos depois, fica a certeza de que, quando mais se sabe a respeito de alguém ou de alguma coisa, mais perguntas se tem a fazer a partir do que se conhece.

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